Foi preciso uma eternidade de esquecimento para voltar. Depois, a viagem torna-se viciante. 

Cada rua, cada casa, cada jardim, cada árvore, cada pedra torna-se nossa também. Lugares de paz. Santuários por assim dizer. Destinos de peregrinação. Afinal foram 1825 anoiteceres e 1825 amanheceres. Entre eles, pacientemente, estudámos, passámos, reprovámos, fizemos amigos, esboçámos sonhos e rascunhos do que havia de ser o nosso futuro. 

Crescer doeu. Foi assim como arrancar uma árvore nascida no quintal da avó que, sem aviso, é transplantada longe, numa cidade feita serenata à beira rio. 

Enraizar foi uma bofetada de frescura e arrepio. Um nascer de novo. Como se nos paríssemos a nós mesmos. Tomámo-nos nos braços, embalámo-nos  e perseverámos na arte de cair e levantar. Chorámos. Celebrámos. Aprendemos a conjugar o verbo confiar. Criámos laços invisíveis com outros peregrinos como nós. 

Depois… os dias, enganaram-nos fazendo-nos acreditar que tudo era ainda tão cedo mas na verdade ia ficando cada vez mais tarde. Entorpecidos pelas exigências ilusórias de se ser adulto estaríamos ainda à beira do abismo. Mas todos os anos somos salvos. Algures no nosso corpo ficou um ímpeto que nos puxa para onde costurámos a nossa alma. Há uma brisa, um sopro de Mondego, tília e madressilva que acordam em nós a urgência de regressar. Porque há lugares que saem do mapa e ficam mapa em nós.

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