O que eu daria para aprender a esperar…

Ficar apenas. Suster a respiração, fixar um ponto invisível e aí pousar.

Como seria fundir-me às nuvens deambulantes?

Permitir que o calor da terra me amolecesse mais e cada vez mais até não sobrar nada mais de mim do que um caramelizado sedoso. Não muito doce… talvez um sabor a gengibre e mel. 

A ilusão de um olhar quieto. Um peito onde ronrona um coração confiante e orgulhoso da janela por onde espreita os dias. 

Como seria divino conseguir contemplar a rua. Olhar cada recanto das quelhas com a paciência de quem pesca. O meu relógio seria o bater das ondas e as nortadas rabujentas que me enriçam os pêlos e refrescam o nariz.

Aí encontraria o meu refúgio. Em qualquer parapeito veria o mundo aqui e além. Sem mover um único ossinho ou articulação do meu corpo reboludo e feliz. 

Dominaria a arte de semicerrar as pálpebras, movimentar as orelhas, tamborilar com a minha cauda e, ao orientar os meus bigodes nunca estaria perdida de coisa nenhuma.

Poderias afastar-me. Deixar-me só em algum lugar sem regresso mas a minha capacidade de esperar levar-me ia até ti. Ficaria à janela como roupa que seca ao vento e ao sol e nada me assustaria, nada me faria recear porque tu voltarias sempre e eu a ti regressaria para ficar. Ficar contigo. A esperar.

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